DOM VINÍCIUS LUCAS
POR MERCÊ DE DEUS E DA SANTA SÉ APOSTÓLICA
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BISPO DIOCESANO DE PARIS
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CARTA PASTORAL
“A ALEGRIA QUE NASCE DE BELÉM”
Aos presbíteros, diáconos, seminaristas e a todo o santo povo de Deus desta amada Igreja: Saúde, paz e bênção no Senhor.
O Natal do Senhor é, para a Igreja, um tempo de verdadeira alegria. Não se trata de uma alegria superficial ou passageira, mas daquela que nasce do coração da fé: Deus entrou na nossa história. Ao celebrarmos o nascimento de Jesus, a Igreja inteira se alegra porque reconhece que não caminha sozinha. O Senhor veio habitar entre nós, partilhar a nossa condição humana e iluminar a nossa vida com a sua presença salvadora.
A alegria do Natal brota do mistério da Encarnação. O Verbo eterno do Pai, por quem tudo foi criado, não permaneceu distante da humanidade, mas assumiu a nossa carne, fez-se homem e armou sua tenda no meio de nós. O Filho de Deus entrou no tempo, na fragilidade e na pobreza, para revelar o rosto misericordioso do Pai e reconciliar o mundo consigo. Este é o centro da nossa fé e o verdadeiro sentido do Natal.
Celebrar o Natal não é apenas recordar um acontecimento do passado, mas acolher hoje a presença viva de Deus que se faz próximo. Em Jesus Cristo, Deus fala a nossa língua, conhece nossas dores, assume nossas alegrias e carrega sobre si as feridas da humanidade. O Menino de Belém é o mesmo Senhor ressuscitado que caminha com a Igreja e sustenta a esperança do seu povo.
O presépio nos ensina que Deus escolheu a simplicidade como caminho. Ele não nasce em palácios, mas numa manjedoura; não se manifesta no poder, mas na humildade; não se impõe pela força, mas se oferece no amor. Este mistério interpela a vida da Igreja e de cada cristão: somos chamados a reconhecer Cristo no pequeno, no pobre, no esquecido e naquele que mais precisa de acolhida.
O Natal do Senhor é, portanto, um convite à conversão do coração. Diante do Verbo encarnado, somos chamados a renovar nossa fé, nossa esperança e nossa caridade. Que este tempo nos ajude a fortalecer a comunhão entre nós, a perdoar, a reconciliar e a assumir com mais zelo a missão evangelizadora que o Senhor confiou à sua Igreja.
Coloco todos vós sob a proteção da Bem-Aventurada Virgem Maria, Mãe do Verbo encarnado, e de São José, fiel guardião da Sagrada Família. Que, por sua intercessão, possamos viver um Natal verdadeiramente cristão, centrado em Cristo e aberto ao amor fraterno.
A todos vós, desejo um santo e abençoado Natal do Senhor.
Paris, 25 de Dezembro de 2025.
